MCCI-N-4/2016
Conferência de Imprensa
Conferência de Imprensa
Excelências,
Povo
da Guiné-Bissau,
Cidadãos
que nunca abdicaram do cumprimento dos seus deveres cívicos, conscientes e
inconformados.
Estamos
aqui hoje em cumprimento da solicitação do presidente da República em que apela
a Intervenção da Sociedade Civil para usar a sua influência junto aos
signatários do acordo da CEDEAO para o seu cumprimento.
Um
apelo, não só estranho mas, também, incompreensível por vir do responsável
máximo da nação que outrora nunca deu ouvidos a sociedade civil quando instado,
implorado de todas as maneiras para não derrubar o primeiro governo dessa
legislatura, liderado pelo Eng. Domingos Simões Pereira. Aliás, a sua resposta
nessa altura foi na perspectiva de que se a sua decisão vier a ser o fator da
instabilidade, que agora se vive, iria assumir as consequências;
Um
presidente que quando o povo sai as ruas para reivindicar contra a crise que
criou, simplesmente, é dispersado com pancadarias e perseguições pelos seus
agentes da segurança.
A
nossa questão é, como é que a Vossa Excelência pretende que nós da sociedade
civil usemos a nossa influência junto aos signatários do acordo para o seu
cumprimento, quando a Vossa Excelência nos vetou de usar a nossa maior arma,
Manifestação?
Como é que podemos usar essa magistratura se a Vossa Excelência faz interpretação difusa e contraditória do próprio acordo? Pois, o acordo em nenhum momento falou de um Governo de Unidade Nacional, como a Vossa Excelência pretende e tem vindo a sustentar.
Excelência
Senhor Presidente da República, primeiramente, antes de tudo, precisamos ser
verdadeiros uns para com os outros… pois só a verdade nos libertará dessa crise
criada por si!
Nessa
perspectiva, nós reconhecemos que o acordo da CEDEAO não é perfeito mas é capaz
de nos livrar dessa crise injustificável. O principal mal do acordo é por não
ter constado a Vossa Excelência como signatária, como parte do conflito. Enfim,
esse disfarce não está ajudar muito na resolução da crise, apesar de nele
constar o autoproclamado Grupo dos 15 e o actual Governo liderado pelo Dr.
Baciro Djá, leais à Vossa Excelência, PRS, PAIGC e a ANP.
É
verdade sim que as partes signatárias do acordo precisam respeita-lo e
implementa-lo, com ou sem o impulso da Sociedade Civil, em estrita obediência
ao princípio Pacta sunt servanda e aos ditames da Comunidade Internacional,
passando, primeiramente, pela sua interpretação correta, dizer o que ele diz,
não o dito por não dito.
É
absolutamente claro que o acordo da CEDEAO fala na formação de um governo de
consenso e inclusivo… isto é, um novo governo. Pois só se forma o que não está
formado. Ao contrário disso é má-fé!
O
acordo ainda confirma o óbvio, quando fala no actual quadro constitucional e
democrático, não há outro entendimento de que o novo Governo a ser formado deve
ser liderado pelo Partido vencedor das Eleições, o PAIGC. Ao contrário disso é
Golpe de Estado!
Para
finalizar,
Devemos
lembrar ao PRS de que está a prestar um péssimo serviço ao país. Se quiser
governar deve primeiramente ganhar as eleições ou participar no governo do
partido que a ganhou. Não se compreende o porquê de estar até a data presente a
sustentar a crise que não criou.
Aos
atuais dirigentes do PRS devem respeito ao povo não ao seu presidente que se
deixou perder na crise. Já é chegado o momento de reconsiderarem o Vosso pacto
com o Grupo dos 15 e com o Presidente da República que o povo agradece e
aprecia com muita consideração como uma possível força alternativa e maior
partido da oposição, a semelhança do serviço que prestaram no primeiro Governo
dessa legislatura.
Ao
Presidente da República, Sua Excelência Dr. José Mário Vaz, a resolução da
crise está ao seu alcance. É uma questão de interesse… Basta voltar ao estatus
quo ante e já está!
Aos
cidadãos conscientes e inconformados nunca desistam do país, ativem os Vossos
direitos cívicos lutando sempre pela afirmação da Democracia e pela afirmação
do Estado de Direito.
Obrigado.
Bissau,
Casa dos Direitos, aos 10 dias do mês de Outubro de 2016.
O Presidente
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