Armando Mussa Sani (RSM*)
Talvez nenhum país hoje seja tão cheio de contradições como a
Guiné-Bissau. Nós os guineenses estamos cansados de avanços e recuos,
será que homem guineense terá disposição de lutar mais uma guerra civil
se ela realmente acontecer. Isso é um dos grandes paradoxos da Nossa
Pátria Amada. Em meio à depressão geral e aos problemas que afligem o
nosso país, o sentimento que toma conta dos guineenses é de
incertezas. Desde os assassinatos do ex-chefe do estado maior Batista
Tagme, do ex presidente Vieira , do ex ministro Baciro Dabo e dos
deputados de PAIGC Helder e Roberto Cacheu, o país viveu uma série de
eventos turbulentos que o jogaram à beira do abismo, com partidos
políticos brigando entre si e esquecendo de governar a nação. Hoje, mais
uma vez pátria de Amílcar encontra-se mergulhada numa crise profunda.
É latente o pessimismo nas ruas. Não faz muito tempo, um condutor de
Toka-toka me disse que esperava reunir um bom dinheiro para ir embora
talvez para a Angola. Os Mauritanos, explicava ele, já estariam fazendo
isso é só ver terminada a época da chuva. Faz doer o coração ouvir esses
desabafos, É verdade que o destino não tem sido generoso com o povo
guineense. Mais de quatro décadas, o nosso País caiu numa espiral de
violência, frustração e ausência de progresso social, cujas
consequências podem ser medidas pelo metro do sofrimento da população
guineense.
Parece que cada guineense precisa mesmo é de desabafar. Toda vez que um passageiro entra num Toka-toka ou num taxi, a conversa envereda para os problemas políticos e militares, quando sempre são amaldiçoados uns ou os dois grupos envolvidos na disputa pelo poder. Muitos deles são os antigos senhores da guerra que mergulharam a nação naquela sangrenta guerra de 1998. Hoje vestem ternos caros, mas o sangue está em suas mãos.
A complexidade do meu país, não reside unicamente na política. O país é historicamente dividido por questões militares. A linha que actualmente une as nossas Forças Armadas Revolucionaria de Povo, é tão ténue, que é uma simples questão de tempo saber quem trairá quem no futuro. Uma união artificial que pode romper-se a qualquer momento.
O país precisa repensar a si mesmo, ou parar de pensar que diversos grupos que se renegam mutuamente conviverão juntos por meio de frágeis acordos. Como unir, portanto, força que não interage?
* RSM - Rádio Sol Mansi
Parece que cada guineense precisa mesmo é de desabafar. Toda vez que um passageiro entra num Toka-toka ou num taxi, a conversa envereda para os problemas políticos e militares, quando sempre são amaldiçoados uns ou os dois grupos envolvidos na disputa pelo poder. Muitos deles são os antigos senhores da guerra que mergulharam a nação naquela sangrenta guerra de 1998. Hoje vestem ternos caros, mas o sangue está em suas mãos.
A complexidade do meu país, não reside unicamente na política. O país é historicamente dividido por questões militares. A linha que actualmente une as nossas Forças Armadas Revolucionaria de Povo, é tão ténue, que é uma simples questão de tempo saber quem trairá quem no futuro. Uma união artificial que pode romper-se a qualquer momento.
O país precisa repensar a si mesmo, ou parar de pensar que diversos grupos que se renegam mutuamente conviverão juntos por meio de frágeis acordos. Como unir, portanto, força que não interage?
Roberto Cacheu e Malan Bacai Sanha na RSM*
As contradições entre políticos e a
classe castrense são tão intensas, que em qualquer conversa de rua se
percebem esse contexto. O que não deixa de ser verdade é que chefes
militares têm tanto poder quanto os governantes, interferindo na
política e na justiça.* RSM - Rádio Sol Mansi
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